Influência da restrição de sono nos resultados de perda de peso associados à restrição calórica

Apresentação do artigo: Xuewen Wang, Joshua R Sparks, Kimberly P Bowyer, Shawn D Youngstedt, Influência da restrição do sono nos resultados da perda de peso associados à restrição calórica, Sono , Volume 41, Edição 5, maio de 2018, zsy027, https://doi.org/10.1093 / sleep / zsy027

Diversos estudos sugerem que o sono desempenha um papel na perda de peso e massa gorda durante a RC. Contudo vale considerar: tempo de intervenção dos estudos, tempo de sono e até mesmo os dias de sono curto quando intercalados com um sono mais longo em outros dias como final de semana por exemplo.

Porém ainda não está claro o efeito geral da recuperação de sono após sua restrição. A busca para também identificar os efeitos adversos sobre o peso e gordura corporal após a recuperação de sono associado a um período de restrição calórica, é um caminho para definição de estratégias mais assertivas.

Este estudo de Wang et al (2018) teve como objetivo examinar os efeitos da restrição de sono crônica com sono de recuperação sobre o peso corporal e composição durante um período de 8 semanas de restrição calórica em adultos com sobrepeso ou obesos.

Foi um estudo randomizado, que concluíram com 36 participantes dos 51 elegíveis incialmente. A redução calórica foi de 29 a 43 por cento, sendo as calorias totais divididas entre café da manhã (25 por cento), almoço (30 por cento), jantar (35 por cento) e lanche (10 por cento), e com aproximadamente 30 por cento de calorias provenientes de gordura, 20 por cento de proteína e 50 por cento de carboidratos. Os almoços e jantares foram fornecidos a todos os participantes durante 4 dias por semana à sua escolha e foram recolhidos pelos participantes. Orientações dietéticas foram fornecidas aos participantes para o café da manhã e lanche e os 3 dias livres de sua escolha na semana.

Para o grupo de restrição calórica e de sono, as orientações foram:

  • Reduzir seu tempo médio na cama total em 90 min por 5 dias por semana de acordo com sua preferência de ir para a cama mais tarde e / ou levantar mais cedo.
  • Manter seus hábitos habituais de cochilo.
  • Nos outros 2 dias da semana, eles podiam dormir ad libitum e os 2 dias podiam ser não consecutivos.
  • Manter um horário de sono-vigília semelhante durante os 5 dias de tempo médio na cama reduzido e minimizar a mudança no horário de sono-vigília entre os dias. 

Os autores trazem discussões bem interessantes. Vale a pena a leitura do artigo por completo.

As conclusões apresentadas pelos autores neste estudo mostra que a restrição de sono moderada, como recuperação por dois dias (que ad libitum) resultou em menor proporção de perda de gordura corporal e maior proporção de perda de massa magra entre a total massa perdida em adultos com sobrepeso e obesos submetidos a restrição calórica moderada.

Outro ponto de discussão interessante está relacionado a mudança hormonal observada. Neste estudo, o grupo submetido a restrição calórica e de sono, a leptina em jejum diminuiu 24 por cento e a grelina mostrou uma tendência de aumento de 26 por cento, sugerindo um estado de deficiência energética, o que pode refletir uma maior necessidade de energia e maior potencial para iniciar uma maior ingestão energética. Esta situação poderia colocar esses indivíduos em risco de recuperar o peso perdido. Já no grupo com restrição calórica somente esta alteração hormonal estava ausente. A ausência de uma redução significativa na leptina pode ser em parte devido à pequena quantidade de perda de massa gorda que não foi suficiente para o corpo sentir deficiência de energia. 

Os autores concluem ainda que as mudanças diferenciais nos hormônios reguladores do apetite entre os grupos, sugere que a restrição de sono pode proporcionar maior risco de ganho de peso. Sugerem também que estudos futuros possam examinar se esses resultados de composição corporal ocorrem com um maior grau de restrição calórica crônica e investigar alterações hormonais e se o ganho de peso posteriormente seria afetado.

Apesar de não conseguir concluir as relações de restrição calórica e de sono, é muito interessante voltar o olhar para nossa prática clínica. Vale se atentar a fala do paciente, entendendo como é a rotina de sono, não somente tempo de sono, mas qualidade e como dorme quando está com dia livre. Claro, entender o padrão alimentar nos dias com restrição ou não de sono também é interessante para pensar na nossa intervenção.

Desta forma, não existe fórmula mágica, existe sim, entender o que seu paciente e sua necessidade.

Leia o artigo completo:

https://drive.google.com/file/d/11s2Lx7YTGPHoBq5OiNSxSJ2Ys7MaLcrk/view?usp=sharing

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